Que a crise da economia dos Estados Unidos já afeta as mais importantes bolsas de valores do mundo não é novidade.
Porém, para entender como essa mesma crise pode afetar a economia do Brasil é preciso saber como ela começou. Tudo começou em 2001 quando, nos Estados Unidos, os imóveis tiveram uma forte valorização e, com juros baixos e créditos fartos, os consumidores e as empresas se encorajaram a gastar.
O resultado foi o aumento da demanda de imóveis, que atraiu compradores. Em 2005, comprar uma casa já era um bom negócio para quem queria adquirir a casa própria e para quem procurava em que investir. A procura por novas hipotecas também cresceu, a fim de usar o dinheiro do financiamento para quitar dívidas e consumir.
As companhias hipotecárias começaram a explorar os clientes do segmento subprime, caracterizados pela baixa renda e, muitas vezes, por históricos de inadimplência. Por isso, para esses clientes, as taxas de retorno são mais altas. A promessa de retornos altos atraiu gestores de fundos e bancos que compraram esses títulos subprime das companhias e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago.
Um outro gestor comprou o título adquirido pelo primeiro e, assim por diante, gerou-se uma cadeia de venda de títulos. O problema é que, se o primeiro dessa cadeia não consegue pagar a dívida inicial, é gerado um ciclo de não-recebimento para os outros compradores dos títulos. Isso resultou na quebra de algumas instituições financeiras, o que trouxe temor ao mercado na espera de que algum governo intervisse nessas dívidas, comprando-as, de modo a recompor toda a cadeia de dívida.
Desde 2004 até 2006, os preços dos imóveis cresceram muito, mas começam a cair logo depois. Os juros do Fed (Federal Reserve - Banco Central Americano), que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começou a superar a demanda e, desde então, o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis.
Com os juros altos, a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo. Sem oferta suficiente de crédito, a economia dos EUA desaqueceu. Com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.
No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo. Por isso o pessimismo influencia os mercados globais e atinge tão profundamente a Europa e, conseqüentemente, as bolsas de valores do mundo todo.
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