A nova Língua Portuguesa
Edição Setembro de 2008

 

A língua portuguesa irá mudar a partir de 2009. As novas regras ortográficas já ganham espaço nos novos livros didáticos e começam a confundir a cabeça do brasileiro.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa vai alterar a acentuação de algumas palavras, extinguir o uso do trema, e sistematizar a utilização do hífen. Palavras como “idéia” e “heróico”, por exemplo, deixarão de ser acentuadas. O Brasil será o primeiro país entre os integrantes da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia. As regras serão obrigatórias, no início, apenas em documentos do governo. O prazo será maior em escolas, devido ao cronograma de compras de livros didáticos elaborado pelo Ministério da Educação.

As alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras brasileiras. Já no caso dos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%. Entre os países da CPLP, já ratificaram o acordo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Ainda não definiram quando irão ratificar o documento.  Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.

O MEC estipulou que o período entre 2010 e 2012 será o de transição para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros didáticos para todas as séries.

Novas regras O trema desaparecerá de vez. Palavras como “lingüiça” e “tranqüilo” passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra “u”. A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados, como “Müller” e “ H ü b n e r ” . Paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi” —como “idéia”, “heróico” e “assembléia”— deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o “i” e o “u” precedidos de ditongos abertos, como em “feiúra”. Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos “e” ou “o”, em formas verbais como “vôo”, “dêem” e “vêem”. Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “kafka” e “kafkiano”.

As regras de utilização do hífen também ganharam nova sistematização. O sinal será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial) e extraescolar (extra + escolar). Já quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras “micro-ondas” e “anti-inflamatório”.Nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por “r” ou “s”, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção “anti” + “semita”: “antissemita”. A exceção é quando o primeiro elemento terminar e “r” e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em “hiper-requintado” e “inter-racial”.

 

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