Lei Seca muda rotina da população
Edição Julho de 2008

A nova legislação, que entrou em vigor no dia 20 de junho, mudou radicalmente a rotina da população. O consumo de qualquer bebida alcoólica por motoristas está proibido. Quem for pego dirigindo depois de beber, além da multa de R$ 955, vai perder a carteira de motorista por 12 meses.

João Carlos Amaral, de 37 anos, diz que não concorda com as novas regras. “É complicado porque cada um tem uma resistência diferente ao álcool. Agora, quando vou sair com meus amigos, prefiro fazer alguma coisa em casa. Assim todo mundo dorme por lá e vai embora no dia seguinte, para não ter perigo de ser pego”, conta. Quem sai no prejuízo é Durval Mendes, proprietário de um bar. “Perdemos muita clientela. As pessoas estão fazendo outro tipo de programa
para se divertir porque beber não pode mais se for dirigir. E a maioria das pessoas dirige depois do bar”, comenta.

Outro problema que os “baladeiros” de plantão enfrentam é o taxi. Se todos querem dirigir, o táxi é sempre uma boa opção, pelo menos é o que parece. “Não é não”, contesta Mariana Freitas Bonardini. “Se saímos de carro, gastamos só R$ 15 com o estacionamento, que dividimos entre as pessoas que estão no veículo. No caso do táxi, ele tem que deixar cada um na sua casa e sai mais de R$ 30 para cada um. É muito caro”, replica.

De fato, a tarifa dos táxis de São Paulo é a mais cara do mundo. Em Buenos Aires, o passageiro que circula sete quilômetros, paga cerca de R$ 6. Já em São Paulo, ele paga três vezes mais: R$ 18. A diferença também é grande em relação a outras grandes cidades como Lisboa, Madrid, Paris e Washington. Assim, o táxi não é uma das alternativas
mais rentáveis para fugir da Lei Seca. Apesar disso, as novas regras já mostram resultados positivos para o governo. Um balanço realizado pela Secretaria de Segurança Pública no último dia 13 aponta que a lei reduziu em 57% as mortes por acidentes de trânsito. O levantamento foi realizado nos dias das blitze chamadas Operação Direção Segura, e os dados foram colhidos nas três unidades do IML da capital. A novidade é que a Lei Seca deve chegar ao mar ainda no verão. A Marinha brasileira pretende implantar o teste do bafômetro em condutores de barcos e lanchas a partir do próximo ano.

 

 

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