A nova legislação, que entrou em
vigor no dia 20 de junho, mudou radicalmente
a rotina da população. O consumo
de qualquer bebida alcoólica por
motoristas está proibido. Quem for
pego dirigindo depois de beber, além
da multa de R$ 955, vai perder a carteira
de motorista por 12 meses.
João Carlos Amaral, de 37 anos,
diz que não concorda com as novas
regras. “É complicado porque cada um
tem uma resistência diferente ao álcool.
Agora, quando vou sair com
meus amigos, prefiro fazer alguma
coisa em casa. Assim todo mundo dorme
por lá e vai embora no dia seguinte,
para não ter perigo de ser pego”,
conta. Quem sai no prejuízo é Durval
Mendes, proprietário de um bar. “Perdemos
muita clientela. As pessoas estão
fazendo outro tipo de programa
para se divertir porque beber não pode
mais se for dirigir. E a maioria das pessoas
dirige depois do bar”, comenta.
Outro problema que os “baladeiros”
de plantão enfrentam é o taxi. Se todos
querem dirigir, o táxi é sempre uma
boa opção, pelo menos é o que parece.
“Não é não”, contesta Mariana
Freitas Bonardini. “Se saímos de carro,
gastamos só R$ 15 com o estacionamento,
que dividimos entre as pessoas
que estão no veículo. No caso do
táxi, ele tem que deixar cada um na
sua casa e sai mais de R$ 30 para cada
um. É muito caro”, replica.
De fato, a tarifa dos táxis de São
Paulo é a mais cara do mundo. Em
Buenos Aires, o passageiro que circula
sete quilômetros, paga cerca de R$
6. Já em São Paulo, ele paga três vezes
mais: R$ 18. A diferença também
é grande em relação a outras grandes
cidades como Lisboa, Madrid, Paris e
Washington.
Assim, o táxi não é uma das alternativas
mais rentáveis para fugir da
Lei Seca. Apesar disso, as novas regras
já mostram resultados positivos
para o governo. Um balanço realizado
pela Secretaria de Segurança Pública
no último dia 13 aponta que a lei
reduziu em 57% as mortes por acidentes
de trânsito. O levantamento foi
realizado nos dias das blitze chamadas
Operação Direção Segura, e os
dados foram colhidos nas três unidades
do IML da capital.
A novidade é que a Lei Seca deve
chegar ao mar ainda no verão. A Marinha
brasileira pretende implantar o teste
do bafômetro em condutores de barcos
e lanchas a partir do próximo ano.
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