O Instituto Nacional da Saúde (NIH, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, transferiu a tecnologia de uma vacina contra a dengue para o Instituto Butantan. O acordo permitirá que o Butantan produza o imunizante em pequena escala, em fase piloto, e realize testes clínicos em humanos. Com isso, a precisão é de que esteja capacitado a fabricar a vacina em escala industrial a partir de 2010.
Em três meses, deve ficar pronta a fábrica para produção dos lotes experimentais. Para isso, foram liberados inicialmente R4 5 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e R$ 2 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Ministério da Saúde. Segundo estimativa do instituto, a produção da vacina demandará um investimento total de cerca de R$ 20 milhões.
As negociações para a produção no Brasil começaram há três anos e há cerca de três meses as cepas (vacinas originais) produzidas pelo NIH foram adquiridas. Testadas nos EUA em macacos Rhesus e num grupo de pessoas que não possuíam a doença, apresentaram resposta imunológica eficaz. O trabalho é feito em parceria com a fundação norte-americana Pediatric Dengue Vaccine Initiative (PDVI), cujo consultor, Donald Francis, prevê que, além do Brasil, a vacina deve ser testada em outro país, provavelmente no Caribe. Para o presidente da Fundação Butantan, Dr. Isaías Raw, a participação da instituição abrange, entre outros, o objetivo de “vender a vacina barata para que o governo distribua para toda a população gratuitamente. É importante ressaltar que nossa vacina será preventiva e tetravalente, protegendo contra quatro tipos de vírus da dengue circulantes no mundo”, explica o médico.
Auto-suficiência – O acordo firmado com a instituição do governo norte-americano prevê, ainda, a transferência de tecnologia da vacina do rotavírus. Outro semelhante está sendo fechado também com o laboratório francês Sanofi-Pasteur, responsável pelo desenvolvimento da vacina contra a gripe, e seu maior produtor mundial.
Por meio dessa parceria, o Butantan poderá fornecer 20 milhões de doses dessa vacina. Tornar o País 100% auto-suficiente em vacinas é uma das metas da nova política de inovação em saúde do governo. “Estamos indo atrás de produtos para a saúde pública, como vacinas e fármacos, a preços menores, para que possamos atingir toda a população. Não podemos usar uma vacina cara no programa nacional de imunização”, diz Hisako Gondo Higashi, diretora da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e de Produção do Instituto Butantan.
A produção atual de imunizantes nos laboratórios públicos, como Butantan e Bio-Manguinhos, é altamente expressiva, o que permite ao País alcançar a auto-suficiência. O instituto paulista, por exemplo, produz hoje a vacina tríplice, a hemófilos, a tríplice infantil, a vacina recombinante contra a hepatite B, a anti-rábica e a vacina da gripe. “Em dois anos, o Brasil será auto-suficiente na imunização de idosos”, assegura Hisako. A diretora do Butantan informa também que o instituto produzirá a primeira vacina pentavalente brasileira – que atua contra tétano, difteria, pertússis (coqueluche), hepatite B e Haemophilus influenzae tipo B.
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