Páscoa é esperança de nova vida

Edição Março de 2009

Muitos acreditam que a Páscoa seja apenas uma celebração cristã ou uma simples data comemorativa.

A verdade é que, muito antes dos cristãos começarem a comemorar a data, os judeus já a celebravam com outro sentido: o de liberdade, após anos de escravidão do Egito, onde foram aprisionados pelos faraós durante vários anos. Também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde fugiram liderados por Moisés. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar o acontecimento, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.

Já para os cristãos, a Páscoa tem origem hebraica e significa passagem, já que celebra o renascimento de Jesus Cristo e sua ascensão ao céu, dois dias depois da morte na cruz (sexta-feira santa). A semana anterior é considerada como Semana Santa, que tem início no Domingo de Ramos, data que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

E por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todo ano? Porque o dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da lua cheia, que ocorre no dia ou depois de 21 de março (data do equinócio). A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.

Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico.
Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. Neste ano, a Páscoa será celebrada em 12 de abril. Já em 2010, no dia 4 de abril.

E de onde surgiu o coelhinho da Páscoa? A figura do  coelho representa a fertilidade, já que o animal se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida porque o índice de mortalidade era muito alto. Tanto no significado judeu quanto no cristão, a Páscoa relaciona-se com a esperança de uma vida nova. A figura do coelho da Páscoa foi trazida para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e XVIII.

Além do coelhinho, surgiu também o símbolo do ovo. E como todos sabem, o animal não bota ovo. Essa figura também tem um significado importante. Apareceu porque o ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo.

Os sacerdotes druidas escolheram o ovo como símbolo de sua seita. Outra corrente assegura que o ovo é símbolo pascal inspirado no costume chinês de colorir ovos de pata, para celebrar a vida que deles se origina.

Ovos eram cozidos e comidos durante os festivais do antigo Egito, Pérsia, Grécia e Roma. Coloridos, eram presenteados para celebrar a chegada da florida primavera, depois do inverno branco no Hemisfério Norte. Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida. Vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV.

Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo. Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou. Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII. Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60.

 

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