Raízes do Carnaval
O carnaval é um conjunto de festas populares que acontecem em diversos países
e regiões católicas nos dias que antecedem o início da Quaresma. Focado no disfarce,
na música, na dança e em gestos, a folia apresenta diferentes características nas cidades
em que ocorre.
A origem do carnaval é incerta. Há quem diga que suas primeiras manifestações
ocorreram em Roma e eram semelhantes às orgias. Contudo, o rei Momo, figura típica da festividade, é uma das formas de Dionísio - o deus Baco, patrono do vinho e do seu cultivo.
Por isso, há a suspeita de que a origem do carnaval seja da Grécia arcaica,com festejos que honravam a colheita.Sempre uma forma de comemorar, com muita alegria e desenvoltura, os atos de alimentar-se e beber, elementos indispensáveis à vida.
No Brasil, no fim do século XIX até a década de 1950, o povo participava ativamente do carnaval, o que já não acontece mais nos dias atuais.
Apesar disso, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo,
seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros, principalmente o
público jovem.
Quando chegou ao país, o carnaval era marcado pelo entrudo, uma forma de brincar
no período colonial e monárquico que consistia em lançar, sobre os outros foliões, baldes
de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro (feitos ambos de cera), pó de cal (que poderia cegar as pessoas atingidas), vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos que estragavam roupas e sujavam ou tornavam mal-cheirosas as vítimas.
Era considerada uma brincadeira grosseira e violenta, mas foi livre até o aparecimento do lança-perfume, já no século XX, assim como do confete e da serpentina,trazidos da Europa.
Em todo o Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, havia o costume de se prestar homenagem a personalidades populares de cada cidade ou vila. O mais famoso carioca foi um sapateiro português, chamado José Nogueira de Azevedo Paredes. Foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores, em passeatas pelas ruas, como se fazia em sua terra. No início do século XX, a percussão do Zé-Pereira cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca, o triângulo e as “frigideiras”. O uso de fantasias e máscaras teve, em todo o Brasil, mais de setenta anos de sucesso - de 1870 até início de 1950. Começou a declinar depois de 1930, quando os materiais para
confeccionar as fantasias ficaram mais caros. As roupas de disfarce, ou as fantasias que embelezaram rapazes e moças, foram aos poucos sendo reduzidas ao mais sumário
possível, em nome da liberdade de movimentos e para fugir do calor do período mais quente
do ano.
E foram desaparecendo os disfarces mais famosos do tempo do império e início da república, como a caveira, o velho, o burro, o doutor, o morcego, diabinho e diabão, o pai João, a morte, o príncipe, o mandarim, o rajá, o marajá. E também fantasias clássicas, como dominó, pierrô, arlequim e colombina. Desde 1685 as máscaras ora eram proibidas, ora liberadas. E a proibição era séria, bastando dizer que as penas, já no século XVII, eram rigorosíssimas: um proclama do governador Duarte Teixeira Chaves mandava que negros e mulatos mascarados
fossem chicoteados em praça pública, e brancos mascarados fossem mandados para a Colônia do Sacramento...
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